Iperó é um município jovem, instalado em 1965, mas o território carrega uma das histórias mais antigas do interior paulista. O relato a seguir se baseia no histórico publicado pela Prefeitura de Iperó, nos registros de formação administrativa do IBGE e em dados reunidos pela Wikipédia.
Ferro, tropeiros e capelas
Segundo o histórico municipal, ainda no século XVI os Sardinhas, pai e filho, iniciaram a mineração no Morro de Araçoiaba. A descoberta de minério de ferro levou à construção de fornos de fundição e, mais tarde, à Real Fábrica de Ferro de São João de Ipanema, instalada em 1810 e considerada uma das experiências siderúrgicas mais importantes do Brasil. Em 1817, dom João VI criou a paróquia de São João Batista da Fábrica de Ferro de Ipanema. As ruínas da fábrica estão hoje dentro da Floresta Nacional de Ipanema e podem ser visitadas (veja o que visitar em Iperó).
O tropeirismo também deixou marcas. Sorocaba era o principal centro tropeiro do Sudeste, com a famosa Feira de Animais, e nos arredores havia os faxinais, áreas onde os tropeiros preparavam suas tropas. Iperó fazia parte de um desses faxinais, por estar perto da rota que levava a Sorocaba. No século XVII, o sertanista Braz Esteves, parente de Baltazar Fernandes (fundador de Sorocaba), fundou a Capela de Nossa Senhora da Conceição, às margens do Rio Sarapuí. O IBGE registra ainda forte presença indígena na região, provavelmente da nação Tupiniquim.
Os pioneiros da Várzea e de Bacaetava
Entre 1891 e 1900, segundo a Prefeitura, Samuel Domingues se instalou na região hoje conhecida como Várzea, quase ao mesmo tempo que Porfírio de Almeida e Rita Motta. Gustavo Sartorelli teria criado uma olaria pioneira no lado oposto da Várzea, e um comerciante de sobrenome Guazzelli mantinha uma venda movimentada em Bacaetava, povoado próximo à Fazenda Ipanema cujo crescimento também foi impulsionado pela ferrovia.
Do ponto de vista administrativo, a área pertencia a Campo Largo, atual Araçoiaba da Serra, município desde 1857. Com a emancipação de Boituva, em 1937, a parte onde fica a sede de Iperó passou a integrar o novo município.
O “tropeirismo de ferro”
O ano de 1927 marca o fim da fase predominantemente agrária. A Estrada de Ferro Sorocabana negociou terras com Rita Motta e construiu o leito ferroviário, que se tornaria um entroncamento importante. Em volta dele surgiram as primeiras construções ligadas ao trabalho na ferrovia e a Vila Santo Antônio. O prédio da estação, de 1928, herdou o nome do bairro. O histórico municipal chama essa fase de “tropeirismo de ferro”.
De Vila Santo Antônio a Iperó
O Decreto-lei Estadual nº 14.334, de 30 de novembro de 1944, criou o distrito de Iperó, subordinado a Boituva. Segundo a Prefeitura, como já existia outra Vila Santo Antônio no estado, o lugar chegou a ser rebatizado de Esplanada antes de adotar, após discussões, o nome Iperó.
O que significa Iperó
Há mais de uma explicação, e nenhuma é consenso:
| Versão | Quem registra |
|---|---|
| ”Águas profundas e revoltas” | Citada pela Prefeitura como tradução equivocada |
| De yperoba, “casca amarga”, madeira chamada peroba | Luís Caldas Tibiriçá, citado pela Prefeitura |
| Derivado de “peroba”, árvore da Mata Atlântica | Eduardo Navarro, Dicionário de Tupi Antigo, citado pela Wikipédia |
As duas versões mais documentadas convergem: o nome remete à peroba, árvore de madeira nobre comum na Mata Atlântica.
A emancipação
Em 1964, lideranças locais como Jorge Abílio Nassif, Joaquim Pedroso Ramos, Gumercindo de Campos e José Homem de Góes conduziram a campanha pela autonomia. O relato da Prefeitura menciona veto do então governador Adhemar de Barros, protestos e um plebiscito com resultado favorável à emancipação.
Pelos registros do IBGE, a Lei Estadual nº 8.092, de 28 de fevereiro de 1964, elevou Iperó a município, com território desmembrado de Boituva e de Araçoiaba da Serra. O novo município nasceu com dois distritos: a sede e Bacaetava, este vindo de Araçoiaba. A instalação ocorreu em 21 de março de 1965, data que a cidade celebra como aniversário. Em 2026, Iperó completou 61 anos de emancipação.
Marcas que ficaram
A herança da siderurgia, dos tropeiros e da ferrovia aparece no patrimônio (Fazenda Ipanema, estação de 1928) e nas festas, como a Cavalgada e a Festa de Santo Antônio, descritas em festas e eventos tradicionais de Iperó. Um capítulo mais recente, o da pesquisa nuclear da Marinha a partir do distrito de Bacaetava, está em Aramar e a economia de Iperó.
Fontes: Prefeitura de Iperó (“A história de Iperó”); IBGE (histórico e formação administrativa do município); Wikipédia; Jornal Cruzeiro do Sul.
