Quem pesquisa sobre Iperó quase sempre esbarra no nome Aramar. É ali, no distrito de Bacaetava, que a Marinha do Brasil mantém o principal conjunto de instalações do seu Programa Nuclear. Esta matéria explica o que funciona no local, quem opera, o que é ou não aberto ao público e como Iperó aparece nas estatísticas econômicas do IBGE.
O que é Aramar
O complexo é chamado de Centro Industrial Nuclear de Aramar (CINA) ou Centro Experimental Aramar (CEA); as duas designações aparecem em publicações oficiais e na imprensa, e as notícias mais recentes, inclusive as de 2026, usam CINA. Segundo a Marinha, é a base do Programa Nuclear da Marinha (PNM) e concentra as principais oficinas, usinas, laboratórios e protótipos do programa.
O programa é executado pelo Centro Tecnológico da Marinha em São Paulo (CTMSP), sob coordenação da Diretoria-Geral de Desenvolvimento Nuclear e Tecnológico da Marinha (DGDNTM). O CTMSP tem sede na Cidade Universitária da USP, na capital, e mantém em Iperó as instalações industriais e experimentais. As atividades se dividem em duas frentes: o ciclo do combustível nuclear e a propulsão nuclear.
As principais instalações
| Instalação | Função informada |
|---|---|
| LABGENE (Laboratório de Geração de Energia Nucleoelétrica) | Protótipo em terra, em escala real, da planta de propulsão do futuro submarino nuclear; prevista para 48 MW térmicos em plena operação |
| LEI (Laboratório de Enriquecimento Isotópico) | Desenvolve o enriquecimento de urânio por ultracentrifugação com tecnologia nacional |
| USEXA (Usina Piloto de Hexafluoreto de Urânio) | Converte o concentrado de urânio (yellow cake) em hexafluoreto de urânio, etapa anterior ao enriquecimento |
| LABMAT (Laboratório de Materiais Nucleares) | Desenvolve combustíveis cerâmicos e ligas absorvedoras de nêutrons |
| CIANA | Forma pessoal civil e militar para operar plantas nucleares |
| LARE (Laboratório Radioecológico) | Faz o monitoramento radiológico ambiental |
Fonte: descrição das instalações divulgada na visita presidencial de 19 de agosto de 2026 (TVT News) e publicações da Marinha.
O LABGENE serve para testar e ajustar sistemas e equipamentos, inclusive de proteção radiológica, antes da instalação definitiva no submarino de propulsão nuclear brasileiro, batizado de “Almirante Álvaro Alberto”, segundo a DGDNTM. Na visita de agosto de 2026, foi informado que o programa entrava na fase de montagem do reator e que a Finep destinou R$ 58 milhões ao LABMAT para uma linha de combustíveis para reatores de pequeno porte. A Marinha descreve o projeto como de uso dual: além da defesa, pode viabilizar pequenas centrais de energia e aplicações em medicina e agricultura.
O Cidade Sorocaba já tratou do tema em Submarino nuclear está sendo construído na Região Metropolitana de Sorocaba, texto de 2018 cujas previsões de cronograma não valem mais.
Quem trabalha lá: Marinha e Amazul
Além do pessoal militar e civil da Marinha, atua no programa a Amazônia Azul Tecnologias de Defesa S.A. (Amazul), empresa pública vinculada ao Ministério da Defesa por meio do Comando da Marinha. Ela foi autorizada pela Lei nº 12.706, de 8 de agosto de 2012, e criada pelo Decreto nº 7.898, de 1º de fevereiro de 2013, para desenvolver e manter tecnologias sensíveis do Programa Nuclear da Marinha, do Programa de Desenvolvimento de Submarinos (Prosub) e do Programa Nuclear Brasileiro. A presença da empresa na cidade aparece até no arquivo da Prefeitura, que registra uma corrida de rua em comemoração ao primeiro aniversário da Amazul.
Vagas em concursos e processos seletivos da Marinha e da Amazul são divulgadas em editais próprios; não há canal de contratação pela Prefeitura.
Dá para visitar?
Não como atração turística. As visitas registradas pela Marinha são institucionais e agendadas, como as de alunos do Colégio Naval e de magistrados do Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região. Não há horário de visitação pública divulgado. Interessados em visitas técnicas devem procurar o CTMSP pelos canais oficiais da Marinha.
Há um efeito prático para quem visita a vizinha Floresta Nacional de Ipanema: segundo o ICMBio, o voo de drones na Flona depende de solicitação prévia ao Centro Tecnológico da Marinha em São Paulo. Os passeios abertos ao público estão em o que visitar em Iperó.
Iperó nos números da economia
| Indicador (IBGE, 2023) | Iperó |
|---|---|
| PIB a preços correntes | R$ 1,29 bilhão |
| PIB per capita | R$ 35.409,71 |
O PIB per capita de Iperó mais que triplicou em uma década: era de R$ 11.698,30 em 2010, segundo a série do IBGE. O instituto não detalha quanto dessa riqueza vem das instalações federais, e não há estatística pública sobre o número de empregos gerados em Aramar. O que os números mostram é uma cidade de 36 mil moradores (Censo 2022) com economia bem acima do que o porte populacional sugeriria. Os dados gerais estão no guia de Iperó.
Fontes: Marinha do Brasil (DGDNTM e CTMSP); TVT News; Câmara dos Deputados (Decreto nº 7.898/2013); TRT-15; ICMBio; IBGE (PIB dos Municípios); Prefeitura de Iperó; Wikipédia.
