O nome de Mairinque é uma homenagem aportuguesada. A vila nasceu em 1890 como Vila Mayrink, batizada em honra do conselheiro Francisco de Paula Mayrink, então presidente da Estrada de Ferro Sorocabana. A grafia com “k” ficou na história da ferrovia, e a cidade adotou a forma Mairinque.
Antes da vila: Caguera e Manduzinho
Nos primeiros tempos da Sorocabana, o lugar era apenas uma fazenda de um senhor conhecido como Manduzinho, segundo o histórico do IBGE. A região era chamada de “Caguera”, palavra que o mesmo registro traduz como “ossada”.
A situação mudou com a construção de uma linha conhecida como “Ituana”, que fez do ponto um entroncamento da ferrovia. Em 27 de outubro de 1890, uma diretoria fundou a Vila Mayrink. A data é até hoje o aniversário da cidade.
A fase áurea
Como entroncamento importante, Mayrink precisou de oficinas, almoxarifado e casas para maquinistas, artífices e funcionários da administração. A vila progrediu e ganhou obras raras para a época, segundo o IBGE:
- a estação ferroviária, apontada como a primeira obra de concreto armado do Brasil, com arquitetura avançada;
- água encanada e rede de esgotos com estação de tratamento;
- iluminação a gás, lembrada por um poste com lampião que ainda existe na prefeitura, com a inscrição “E.F.S. – Oficinas de Mayrink – 1906”;
- jardim público, banda de música, teatro e jornal.
A estação foi projetada pelo arquiteto francês Victor Dubugras e construída em 1906, segundo a prefeitura. Hoje é tombada pelo Condephaat e pelo Iphan e abriga o Museu Ferroviário.
Linha do tempo
| Data | Fato |
|---|---|
| 27/10/1890 | Fundação da Vila Mayrink |
| 1906 | Construção da estação projetada por Victor Dubugras |
| 24/09/1908 | Criação do Distrito de Paz de Mairinque, em São Roque (Lei Estadual nº 1.131) |
| 1930 | Oficinas da Sorocabana transferidas para Sorocaba |
| Década de 1940 | Ferrovia volta a ampliar repartições na vila; CBA se instala no bairro Rodovalho |
| 1953 | Primeira tentativa de emancipação, sem sucesso |
| 18/02/1959 | Criação do município (Lei Estadual nº 5.285) |
| 14/05/1980 | Criação do distrito de Alumínio, anexado a Mairinque (Lei nº 2.343) |
| 30/12/1991 | Alumínio se desmembra e vira município (Lei nº 7.644) |
Queda e recuperação
Em 1930, a oficina da Estrada de Ferro Sorocabana foi transferida para Sorocaba. Segundo o IBGE, a vila entrou em declínio e “chegou quase a desaparecer”.
A retomada veio a partir de 1940, quando a ferrovia passou a instalar e ampliar repartições em Mairinque: depósito de locomotivas com oficina de manutenção, almoxarifado, a sede do Serviço Florestal, a sede dos serviços de eletrificação, armazém de abastecimento e a sede dos ferroviários. Ao mesmo tempo, a Companhia Brasileira de Alumínio começou a se instalar no bairro Rodovalho, que mais tarde viraria o município de Alumínio.
A emancipação
Mairinque pertencia a São Roque. A primeira tentativa de emancipação, em 1953, fracassou porque ainda não havia condições para a instalação do município. Com apoio da população, o município foi criado pela Lei Estadual nº 5.285, de 18 de fevereiro de 1959. O primeiro prefeito foi Arganauto Ortolani.
Por pouco mais de uma década, Mairinque teve dois distritos: a sede e Alumínio, criado em 1980. Em 1991, Alumínio se emancipou, e Mairinque voltou a ser formado apenas pelo distrito sede, segundo a divisão territorial registrada pelo IBGE.
A memória ferroviária hoje
A ligação com os trilhos segue presente. A estação está em obras de conservação desde setembro de 2026, financiadas por edital estadual, e projetos pedagógicos da rede municipal, como “Nos Trilhos da Nossa História” (2025) e “Entre Trilhos e Árvores” (2026), levam estudantes a conhecer a estação e a origem da cidade. Para saber o que visitar, veja Estação de Dubugras e Horto Florestal: o que visitar em Mairinque.
Fontes: IBGE (Biblioteca, histórico e formação administrativa de Mairinque e de Alumínio); Prefeitura Municipal de Mairinque (A Cidade, Mapa das Unidades e notícias oficiais); Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo.
