A própria Prefeitura de Capela do Alto admite que a fundação da cidade é cercada de lendas e controvérsias. Não há registro exato de quem foram os fundadores. O que se sabe com segurança é que o povoado nasceu como pouso de tropeiros, cresceu à beira da estrada entre Sorocaba e Itapetininga e ganhou o nome por causa de uma capelinha no ponto mais alto do lugar. Esta é a história contada pelo IBGE e pelo município.
Pouso de tropeiros
Segundo o histórico municipal, as terras onde surgiu Capela do Alto eram usadas como pouso pelos tropeiros que vinham do Sul do país vender mulas nas feiras de Sorocaba. O povoado foi beneficiado pela estrada São Paulo–Paraná, que ligava Sorocaba a Itapetininga e acabou se tornando a rua principal da cidade. Hoje esse trecho corresponde à SP-268.
A Prefeitura também associa o início da cidade ao trabalho de evangelização dos padres jesuítas.
As famílias europeias
O IBGE registra que a formação de Capela do Alto foi impulsionada pela chegada de imigrantes alemães, principalmente depois da Segunda Guerra Mundial, além de famílias que já viviam na região. A tradição local citada pela Prefeitura vai mais longe: as famílias Menck, Wincler, Plens, Popst e outras teriam vindo da Europa para trabalhar na exploração e fundição de ferro na fábrica do Morro do Ipanema. Conta-se ainda que alemães foram ao Ipanema atrás de ferro, ouro e prata e, sem encontrar os metais preciosos, seguiram sertão adentro até se fixar onde já havia o pouso de tropeiros.
A lenda do monge e as catorze cruzes
A história mais conhecida da cidade envolve um eremita. Segundo a Prefeitura, o italiano Giovani Maria D’Agostini viveu numa gruta no Morro do Ipanema entre 1844 e 1865. A tradição conta que um crime triplo deu origem a três cruzes no local e que o monge ergueu mais onze, totalizando catorze. As cruzes serviram à Via Sacra da Quaresma até 1960. O lugar, chamado Cruzeiro, fica em frente à antiga Igreja Nossa Senhora das Dores, hoje Santuário Mãe Peregrina.
O histórico municipal relata que o monge tinha fama de poderes extraordinários e que a pedra onde ele dormia foi visitada por muitos capelenses.
O nome decidido no voto
Os moradores das margens do Rio Sarapuí costumavam dizer “vamos à capela do alto” quando iam à capelinha erguida na antiga Rua Santa Cruz, hoje Rua do Cruzeiro, a parte mais alta do povoado. A expressão se espalhou e virou nome.
Segundo a Prefeitura, houve uma eleição para escolher a denominação. Entre as opções estavam:
- Cruz do Monge;
- Capelândia;
- Guarapiranga;
- Duartinópolis;
- Itarassú;
- Ipanemápolis;
- Minerápolis;
- Menklândia;
- Capanema.
Capela do Alto venceu por cinco votos de diferença, numa votação com poucos eleitores.
Do distrito ao município
| Data | Fato | Base |
|---|---|---|
| 1950 | Criação do Distrito Policial | Prefeitura |
| 30/12/1953 | Criação do distrito de Capela do Alto, em Araçoiaba da Serra | Lei estadual nº 2.456 |
| 1954 | Criação do Distrito de Paz; primeiro titular, Heleno Lopes Plens | Prefeitura |
| 20/06/1954 | Inauguração da energia elétrica no distrito | Prefeitura |
| 31/12/1963 | Criação do município | Lei estadual nº 8.050 |
| 28/02/1964 | Redação final da lei de criação; distritos de Capela do Alto e Porto | Lei estadual nº 8.092 |
| 26/03/1965 | Instalação do município, em sessão presidida pelo juiz eleitoral da Comarca de Sorocaba | IBGE e Prefeitura |
A energia elétrica chegou na gestão do prefeito de Araçoiaba da Serra, Francisco Pássaro, município ao qual Capela do Alto pertencia. Heleno Lopes Plens, primeiro titular do Distrito de Paz, seria depois o primeiro prefeito. O município foi desmembrado de Araçoiaba da Serra já com dois distritos, a sede e o Porto.
O 26 de março, data da instalação, é o aniversário oficial da cidade, conforme o calendário de eventos do município.
Tradição que continua
A herança tropeira segue viva no calendário. O Dia do Tropeiro, 22 de maio, é data oficial, e a cidade recebe em maio a comitiva da rota paulista dos tropeiros. O grupo Fandango de Chilenas Irmãos Lara, surgido por volta de 1957, mantém as danças que os tropeiros faziam nas pousadas, segundo a Prefeitura. As festas atuais estão em Festa do Milho Verde e o calendário de Capela do Alto.
Fontes: IBGE (histórico e formação administrativa de Capela do Alto); Prefeitura de Capela do Alto (páginas Histórico, Turismo, Cultura e Calendário de Eventos Oficiais).
