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Cultura Salto

Do Ytu Guaçu à Pequena Manchester: história e origem do nome de Salto

A cidade nasceu de uma capela erguida ao lado da cachoeira do Tietê em 1698, separou-se de Itu em 1889 e só em 1917 passou a se chamar apenas Salto. Veja a cronologia.

O nome de Salto vem do próprio rio. A cidade nasceu na margem direita do Tietê, perto da foz do Rio Jundiaí, num lugar conhecido como “Cachoeira”. Os indígenas chamavam a queda d’água de Ytu Guaçu, que significa “salto grande”, segundo a prefeitura. Por mais de dois séculos o povoado foi conhecido como Salto de Itu, e só em 1917 o nome foi encurtado para Salto, “decorrente do acidente fluvial fronteiro à cidade”, nas palavras do histórico do IBGE.

A capela de 1698

No fim do século 17, a área era uma propriedade particular, o Sítio Cachoeira, do capitão Antônio Vieira Tavares, sesmeiro dessas terras, e de sua mulher, Maria Leite. O IBGE registra que a região era habitada originalmente pelos índios guaianases.

Em 21 de outubro de 1695, o capitão começou a construir uma capela em louvor a Nossa Senhora do Monte Serrat. Concluída, ela foi benzida em 16 de junho de 1698 pelo vigário de Itu, Manoel da Costa Carneiro. Essa data é considerada a fundação de Salto. Dois anos depois, em 1700, o casal doou parte das terras à capela, formando o patrimônio da igreja.

Nossa Senhora do Monte Serrat segue como padroeira da cidade, e o fundador dá nome à praça do Marco Zero, a Praça Antônio Vieira Tavares.

Linha do tempo

AnoFato
1695Início da construção da capela de Nossa Senhora do Monte Serrat
1698Capela benzida em 16 de junho; data de fundação
1857Povoado já tinha arruamento, várias casas e uma pequena indústria de velas de cera
1873Chegam os trilhos da Companhia Ituana e é inaugurada a fábrica de tecidos Júpiter
1885Criado o distrito de Salto de Itu, subordinado a Itu (Lei Provincial nº 123)
1889Vila de Salto de Itu, desmembrada de Itu (Lei Provincial nº 68, de 27 de março); primeira fábrica de papel da América Latina, de Melchert & Cia.
1906Elevação à categoria de cidade (Lei Estadual nº 1.038)
1907Inauguração da iluminação elétrica, em 7 de setembro
1917Nome passa a ser apenas Salto (Lei Estadual nº 1.593, de 29 de dezembro)
1919Fundação da Brasital
1999Título de Estância Turística (Lei Estadual nº 10.360)

A Pequena Manchester Paulista

A virada de Salto veio com a ferrovia e as tecelagens. Depois da Júpiter, de 1873, vieram a Fortuna (1882), a fábrica de meias de José P. Tibiriçá (1885) e a Fábrica de Tecidos Monte Serrat (1887), segundo a prefeitura. O histórico do IBGE cita ainda as fábricas de José Galvão de França Pacheco, que já empregava cerca de 100 pessoas, e de José Francisco de Barros Junior, montada em 1880 com máquinas importadas da Europa.

O ritmo era tal que, em 1896, o jornal “O Estado de São Paulo” descreveu Salto como “depois da capital, o Município mais industrial”, conforme registra o IBGE. A comparação com a cidade inglesa de Manchester, símbolo da Revolução Industrial, rendeu o apelido que a cidade usa até hoje.

Em 1904 começou a construção da Usina de Lavras, a segunda hidrelétrica do Rio Tietê. Em 1919 surgiu a Brasital, que por décadas foi a grande empregadora local. O nome junta as primeiras letras de Brasil e Itália, um reflexo da imigração que moldou a cidade.

Italianos e novos moradores

Depois de 1870, chegaram sobretudo imigrantes italianos, atraídos pelas tecelagens, que também se fixaram na agricultura e no comércio. A herança aparece até hoje no calendário: a Festa Ítalo-Saltense, em junho, homenageia essa influência.

Nos anos 1950, um segundo surto industrial trouxe empresas como Eucatex, Emas, Picchi e Sivat, atraídas por isenções de impostos, segundo a prefeitura. Nas décadas de 1970 em diante, com a criação de distritos industriais, Salto recebeu migrantes de vários estados, com destaque para os paranaenses.

O lema da cidade

O brasão municipal traz, desde 1931, a divisa latina Labor Omnia Vincit, “o trabalho tudo vence”, uma síntese da identidade operária que a cidade construiu em torno das fábricas.

Para conhecer os lugares onde essa história aconteceu, como o Marco Zero, a Igreja Matriz e as antigas vilas operárias, veja o que visitar em Salto.

Fontes: IBGE (Biblioteca, histórico e formação administrativa de Salto); Prefeitura da Estância Turística de Salto (Sobre a Cidade); Wikipédia (Salto e Brasital).

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