Hoje, o Campo de Boituva é sinônimo de paraquedas coloridos sobre a cidade. Mas a vocação aérea do lugar é anterior ao primeiro salto. A Prefeitura de Boituva conta essa trajetória em sua página sobre o Centro Nacional de Paraquedismo (CNP), e é com base nela, e em documentos da Assembleia Legislativa, que reconstruímos a linha do tempo abaixo.
1930: o primeiro pouso
Segundo a Prefeitura, em 1930 uma forte chuva de granizo obrigou o comandante Hammer, que pilotava o avião Pirajá de São Paulo para Curitiba, a fazer um pouso de emergência numa área plana do território que viria a ser Boituva. Foi o primeiro pouso registrado no município, anos antes da emancipação, em 1937. O texto oficial descreve o piloto como proprietário da viação Condor no Brasil.
Ele foi recebido por moradores que hoje dão nome a ruas, escolas e espaços da cidade: Ricieri Primo, Rodrigo Holtz, Humberto Primo, Antônio Rosa Santos, Manoel dos Santos Freire e o professor Roque Vieira Dias.
O campo de pouso da obra da Castello
O passo seguinte veio com a construção da Rodovia Castello Branco. Para transportar funcionários com mais agilidade, a empreiteira responsável pela obra construiu um campo de pouso e decolagem. O terreno foi cedido por Desdêmona Primo Pinezi e, de acordo com a Prefeitura, é exatamente onde funciona hoje o CNP. Daí vem a ideia de “campo” que acompanha a área até o nome do bairro nos Correios.
1971: o salto das flores de pano
Em 1971, Newton Raul Faria de Almeida decidiu organizar uma apresentação de paraquedismo para arrecadar dinheiro para uma corporação. Havia um problema: apresentações aeronáuticas não podem ter fins lucrativos. A solução, conta a Prefeitura, foi criativa. Zeliza Franco de Melo confeccionou flores de pano, e cada espectador que fazia uma contribuição recebia uma flor em troca.
O avião decolou de Americana e fez três lançamentos sobre um alvo improvisado. Saltaram os paraquedistas conhecidos como Bié, Salti e Ademir. O público compareceu, e a semente estava plantada.
A área do Centro Nacional
Ainda em 1971, em outubro, foi outorgada uma procuração pública para que Newton Faria pudesse receber uma “doação, comodato ou empréstimo” de área destinada à implantação do Centro Nacional de Paraquedismo. Em dezembro do mesmo ano aconteceu o primeiro salto de boituvenses, com instrução do Clube de Boituva. Em 1975, a União Brasileira de Paraquedismo deu lugar à Confederação Brasileira de Paraquedismo (CBPq).
A foto do primeiro salto, reproduzida pela Prefeitura, registra entre os presentes Décio F. Almeida, Bié, Tancredo Primo, Eurico Ferriello, Salt, Lelo, Ademir e Roberto Faria de Almeida. Newton Raul Faria de Almeida batiza hoje a rua onde fica o CNP.
Linha do tempo
| Ano | Marco |
|---|---|
| 1930 | Pouso de emergência do comandante Hammer |
| Antes de 1971 (sem data oficial) | Campo de pouso da obra da Castello Branco, em terreno cedido por Desdêmona Primo Pinezi |
| 1971 | Primeira apresentação de paraquedismo; procuração para a área do CNP; primeiro salto de boituvenses |
| 1975 | Criação da Confederação Brasileira de Paraquedismo |
| 2003 | Lei municipal nº 1.486 reconhece Boituva como “Capital do Paraquedismo” |
| 2014 | Lei municipal institui 22 de outubro como Dia do Paraquedismo |
| 2021 | 50 anos de paraquedismo na cidade |
O texto oficial não informa em que ano o campo de pouso foi construído; sabe-se apenas que ele antecede o salto de 1971.
O título de capital
As duas leis municipais citadas na tabela são mencionadas na justificativa do Projeto de Lei nº 253/2024, protocolado na Alesp em abril de 2024, que propõe declarar Boituva a “Capital Estadual do Paraquedismo”. O mesmo documento afirma que a CBPq tem sede na cidade e que Boituva concentra mais de mil atletas registrados em clubes.
O CNP hoje
Segundo a Prefeitura, o centro tem cerca de 81 mil metros quadrados de área de pouso, 15 escolas de formação e média de 5 mil saltos por mês. O projeto de lei estadual fala em cerca de 20 mil lançamentos mensais, número bem diferente do municipal; a divergência pode refletir métodos e épocas distintas de contagem.
A história, porém, pode ganhar um novo capítulo: a Prefeitura planeja transferir gradualmente a atividade para uma nova área, mantendo vocação turística no espaço atual.
Fontes: Prefeitura de Boituva (Centro Nacional de Paraquedismo; perguntas frequentes sobre a nova área do CNP); Assembleia Legislativa de São Paulo (PL 253/2024); Wikipédia (Boituva).
