Poucas cidades da região têm uma trajetória política tão acidentada quanto Sarapuí. O povoado nasceu do comércio de tropas, virou município em 1872, perdeu a autonomia na década de 1930 e a recuperou pouco depois. O nome, de origem indígena, vem do rio que corta o território. Esta é a história reconstituída a partir do IBGE e dos registros da Prefeitura.
O caminho das tropas
Segundo o histórico do IBGE, as primeiras incursões na região aconteceram no século XVIII, pelas trilhas das tropas de mulas que subiam do Sul do país rumo às feiras de Sorocaba. Ao longo do caminho surgiram pequenos núcleos com roças de subsistência. As viagens eram longas e, nas épocas de chuva, as tropas paravam à espera de que os rios baixassem. Era preciso pernoite, comida e pasto para os animais.
Num desses pousos, conhecido como Fazendinha, no território de Itapetininga, formou-se um pequeno centro de abastecimento de tropeiros. A Prefeitura registra o lugar como Capela da Fazendinha.
A capela de 1832
Os povoadores ergueram em 1832 uma capela dedicada a Nossa Senhora das Dores, em terreno doado pelo Capitão Luiz Vieira, dono de uma extensa área na região. Segundo o livro “Igrejas e Capelas”, da Prefeitura, a construção foi de taipa de pilão, com uma única torre e sem campanário, erguida por pessoas escravizadas. Os registros da paróquia começam em 1839. A atual Matriz, de alvenaria, foi construída no mesmo lugar em 1925.
O Capitão Luiz Vieira é lembrado como fundador. Em 2019, quando a cidade completou 147 anos, o desfile cívico de aniversário reconstituiu a história desde a fundação, segundo o álbum de fotos publicado pela Prefeitura.
O que significa Sarapuí
O nome vem do tupi “çarapó-y”. Segundo o IBGE e a Prefeitura, “çarapó” designa o sarapó, peixe escorregadio de água doce, e “y” significa rio. Sarapuí quer dizer, portanto, rio dos sarapós, referência ao Rio Sarapuí, que banha a região. O peixe virou até ícone na identidade visual do turismo do município.
Algodão, ferrovia e decadência
No início, os proprietários se dedicavam à pecuária. Depois passaram a cultivar diversos produtos, sobretudo algodão, consumido em larga escala em Sorocaba, onde a indústria têxtil começava. As lavouras exigiam muita mão de obra e a comunidade cresceu.
A chegada da Estrada de Ferro Sorocabana mudou o rumo da cidade. Como os trilhos passaram longe do núcleo urbano, parte da população migrou para as frentes abertas pela ferrovia. O declínio econômico levou à perda da autonomia em 1934.
Linha do tempo
| Data | Fato | Base legal |
|---|---|---|
| 1832 | Capela de Nossa Senhora das Dores | Doação do Capitão Luiz Vieira |
| 28/02/1844 | Criação do distrito de Sarapuí, em Itapetininga | Lei provincial nº 22 |
| 13/03/1872 | Criação da vila (município), desmembrada de Itapetininga | Lei provincial nº 11 |
| 19/12/1906 | Sede passa à categoria de cidade | Lei estadual nº 1.038 (organização municipal) |
| 21/05/1934 | Município rebaixado a distrito de Itapetininga | Decreto estadual nº 6.448 |
| 07/10/1937 | Restauração do município | Lei estadual nº 3.101 |
Fonte: IBGE, formação administrativa de Sarapuí. A Prefeitura usa as mesmas datas.
A Praça 13 de Março, onde fica a Prefeitura, lembra a data da lei de 1872, a partir da qual a cidade conta seus anos. Hoje o município é formado pela sede e pelo Distrito de Cocaes, onde ficam a Capela do Anjo Gabriel e a Comunidade São Roque, ligadas a histórias de fé do século XIX e do início do século XX.
A memória nos casarões
O período tropeiro deixou marcas no centro. O livro “Casario”, da Prefeitura, descreve casas de meados do século XIX que serviram de pouso a tropeiros, como o antigo Hotel Paulista, e registra relatos do uso de mão de obra escravizada em algumas construções. Muitas mantêm paredes de taipa e pau a pique. O roteiro para conhecer esses imóveis está em O que fazer em Sarapuí.
A tradição tropeira continua nas cavalgadas e tropeadas promovidas no município, e Sarapuí segue como referência na criação de muares, segundo a Prefeitura.
Fontes: IBGE (histórico e formação administrativa de Sarapuí); Prefeitura de Sarapuí (História do Município, livros “Igrejas e Capelas” e “Casario”, livreto “Experiências Turísticas” e álbum “Sarapuí 147 anos”).
