O nome de São Miguel Arcanjo vem de uma capela. Antes de ser cidade, o lugar era um bairro rural ao sul de Itapetininga, na rota que ligava Sorocaba ao Sul do país. A devoção de uma família de fazendeiros ao arcanjo deu nome ao povoado que cresceu em torno da igreja. Esta é a história reconstituída a partir do IBGE, da Prefeitura e de registros da paróquia.
A Fazenda Velha e o Tenente Urias
Segundo o histórico do IBGE, em meados do século XIX povoadores se fixaram ao longo da estrada entre Sorocaba e o Sul e formaram fazendas de culturas variadas. Um deles, o Tenente Urias Emídio Nogueira de Barros, reuniu parentes e amigos numa grande área e formou o antigo bairro da Fazenda Velha. A Prefeitura data sua chegada de 1841 e registra que ele abriu uma trilha em direção ao litoral. Um texto da paróquia, publicado na revista Ave Maria, acrescenta que em 1844 o governo o encarregou de abrir uma estrada entre Itapetininga e o porto de Iguape.
Por que São Miguel Arcanjo
O IBGE atribui a doação do terreno a Maximina Nogueira Terra, filha do Tenente Urias. Ela entregou à Igreja terras para uma capela dedicada a São Miguel Arcanjo, em homenagem ao marido falecido, Miguel dos Santos Terra. Do nome da ermida veio o nome do povoado.
Os registros paroquiais citados pela revista Ave Maria trazem mais um capítulo. Em 1884, outra filha do tenente, Thereza Augusta Nogueira Teixeira, doou 25 alqueires para uma nova capela, com a condição de que as terras nunca fossem vendidas. As versões se completam: primeiro a capelinha da devoção familiar, depois a igreja maior, que virou paróquia.
Linha do tempo oficial
| Data | Fato | Base |
|---|---|---|
| 1841 | Tenente Urias se estabelece na região | Prefeitura |
| 12/05/1877 | Criação da freguesia (distrito) de São Miguel Arcanjo | Lei provincial nº 58 |
| 11/01/1886 | Capela elevada a paróquia | Livro do tombo, via revista Ave Maria |
| 01/04/1889 | Criação do município, desmembrado de Itapetininga | Lei provincial nº 86 |
| 30/10/1889 | Instalação do município e da Câmara | IBGE e Prefeitura |
| 19/12/1906 | Sede passa à categoria de cidade | Lei estadual nº 1.038 (organização municipal) |
| 1948–1953 | Distrito de Abaitinga incorporado e depois extinto | Leis estaduais 233/1948 e 2.456/1953 |
O histórico do IBGE registra a elevação a cidade em 1908, mas a Lei estadual nº 1.038, que deu a categoria de cidade às sedes de município paulistas, é de 19 de dezembro de 1906, conforme o acervo da Assembleia Legislativa. O 1º de abril, data da lei de 1889, é o aniversário do município. Mais tarde foi criado o distrito de Gramadão, que o IBGE registra nas divisões territoriais mais recentes.
Os ciclos econômicos
O histórico do IBGE descreve uma sucessão de atividades. A Prefeitura registra a produção de fumo desde o início do povoado.
- Algodão: foi o primeiro grande motor da economia. Na década de 1920, a cidade tinha vinte beneficiadoras, nacionais e estrangeiras. Para alguns historiadores, essa foi a fase mais rica do município.
- Carvão vegetal: na Segunda Guerra Mundial, a Inglaterra, principal compradora, deixou de adquirir o algodão local. Muitos produtores trocaram a lavoura pela extração de madeira para carvão.
- Batata: foi introduzida pelos primeiros imigrantes japoneses, logo depois da guerra.
- Trigo: o comendador Dante Carraro, vindo da Itália, comprou grandes áreas e introduziu o cereal. Depois de sua morte, a família trocou o trigo pela pecuária.
- Uva Itália: nos anos 1950, a família de Masato Fujiwara trouxe mudas de uva Itália, que se tornaram a principal fonte de renda da cidade. A Prefeitura grafa o nome do pioneiro como Masuto Fujiwara e situa o começo do cultivo no fim daquela década. Hoje o município se apresenta como “Capital da Uva Itália”.
Muitas origens
A colônia japonesa da Colônia Pinhal é parte central dessa história. Uma justificativa de projeto de lei de 1997, arquivada na Assembleia Legislativa, descrevia a biblioteca da Associação Cultural Japonesa local, com 50 mil volumes em japonês. O mesmo documento lembra que italianos, sírio-libaneses e espanhóis também ajudaram a formar a comunidade.
A nova matriz
A igreja que hoje é basílica começou a ser construída na década de 1940. Segundo a paróquia, a pedra fundamental foi lançada em 1º de dezembro de 1944, a obra começou em 2 de janeiro de 1945 e o templo foi inaugurado em 30 de outubro de 1960, depois de cerca de quinze anos de quermesses e trabalho comunitário. Em 2013 virou santuário diocesano e, em 2018, basílica menor.
Para visitar os lugares citados aqui, veja O que visitar em São Miguel Arcanjo.
Fontes: IBGE (histórico e formação administrativa de São Miguel Arcanjo); Prefeitura de São Miguel Arcanjo (História do Município); Revista Ave Maria (set/2023, texto do Pe. Márcio Almeida); Assembleia Legislativa de SP (justificativa de projeto de lei de 1997); GCatholic; Assembleia Legislativa de SP (Lei 1.038/1906).
