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Grupo Escolar Senador Vergueiro: a escola de 1919 para os filhos de operários do Além Ponte

A história do terceiro grupo escolar de Sorocaba, instalado em 1919 na Chácara Amarela, no Além Ponte, para alfabetizar os filhos dos operários do bairro.

No começo do século 20, muitas crianças do Além Ponte passavam o dia dentro das fábricas de tecidos em vez de frequentar a escola. Em 1919, o bairro de maioria operária e de forte presença espanhola ganhou uma resposta do poder público: o Grupo Escolar Senador Vergueiro, o terceiro da cidade. A história foi reconstituída pelo pesquisador Adilson Aparecido Spim em dissertação de mestrado defendida na Universidade de Sorocaba (Uniso) em 2014, a partir de jornais da época, livros de visita e registros de matrícula.

Por que o bairro precisava de uma escola

Segundo a pesquisa, a industrialização levou famílias inteiras para as fábricas, e o salário das crianças completava o orçamento doméstico. O resultado era um alto índice de analfabetismo entre os filhos de operários. A imprensa operária denunciava jornadas longas e cobrava escolas. O movimento operário mantinha suas próprias salas de aula, como a Escola Moderna, de orientação anarquista.

A resposta do Estado veio com os grupos escolares, que reuniam num só prédio várias escolas isoladas, sob a direção de um diretor. O ensino também passou a ser obrigatório para crianças até 12 anos. Sorocaba recebeu o primeiro grupo escolar em 29 de março de 1896, o Antonio Padilha, e o segundo em 1914, o Visconde de Porto Seguro. Os dois funcionavam na região central. Nos bairros operários, como o Além Ponte e o Além Linha, as crianças continuavam dependendo de escolas isoladas, quando havia.

A criação, em abril de 1919

Em 25 de abril de 1919, o jornal Cruzeiro do Sul publicou a notícia do decreto, assinado dois dias antes, que criava o terceiro grupo escolar da cidade. O texto atribuía a conquista ao chefe político local, Luiz Pereira de Campos Vergueiro, e destacava os “meninos operarios” que passariam a frequentar a escola por causa da obrigatoriedade.

A escola recebeu o nome de Senador Vergueiro em homenagem ao avô do chefe político. Funcionou num prédio adaptado da Chácara Amarela, no Além Ponte. Segundo a dissertação, a construção de 1851 havia abrigado, em 1878, uma tentativa pioneira de fábrica de tecidos, a primeira do Estado de São Paulo, montada por Manoel Lopes de Oliveira. A fábrica parou pouco tempo depois.

Os primeiros meses em números

O primeiro diretor foi o professor Accácio de Vasconcellos Camargo, natural de Itu, transferido de Taquaritinga a pedido. O livro de visitas das autoridades escolares foi aberto por ele em 29 de maio de 1919. A primeira inspeção registrada é de 24 de agosto de 1919, feita pelo inspetor Luiz de Brito, que anotou o funcionamento regular do grupo.

Registro da visita de 24/8/1919Número
Alunos matriculados499
Alunos presentes no dia346
Matriculados analfabetos419

O inspetor deixou instruções para o ensino de leitura. No livro de matrícula, a pesquisa observa que a maioria dos alunos era filha de operários. A nacionalidade estrangeira dos alunos ou de seus pais era destacada em vermelho, o que dá uma ideia do peso da colônia espanhola no bairro.

Do Além Ponte à Rua Fernão Salles

A Escola Estadual Senador Vergueiro continua em atividade. Cadastros públicos de escolas a localizam hoje na Rua Fernão Salles, na Vila Hortência, bairro vizinho ao Além Ponte, com turmas dos anos finais do ensino fundamental e do ensino médio. Na dissertação, o autor agradece à direção da escola pela preservação de documentos do início do século 20, como os livros de visita e de matrícula usados na pesquisa.

Quem precisa de informações sobre matrícula deve procurar a própria escola ou a Diretoria de Ensino da Região de Sorocaba, da Secretaria da Educação do Estado de São Paulo, porque os cadastros na internet nem sempre trazem número e telefone atualizados.

Para entender o contexto

A criação do grupo escolar faz parte de uma história maior do Além Ponte, a de um bairro de chácaras que virou endereço de imigrantes e operários. Para conhecer a origem do nome e a herança espanhola da região, leia o nosso guia do Além Ponte. A dissertação completa está disponível no site da Uniso.

Fontes: Universidade de Sorocaba (Uniso), dissertação “A criação do Grupo Escolar Senador Vergueiro (1919) e a escolarização dos filhos dos operários em Sorocaba”, de Adilson Aparecido Spim (2014); jornal Cruzeiro do Sul (edições de 1919 citadas na pesquisa); cadastros públicos de escolas (Escol.as e Melhor Escola).

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