Quem mora no Ipanema das Pedras, na Zona Oeste de Sorocaba, vive perto de uma das fontes de água da cidade. A Represa do Ipaneminha, que o Saae cita como vizinha da Rua Laura Maiello Kook, é um dos quatro mananciais usados no abastecimento do município. Entender como ela funciona ajuda a explicar por que os córregos, o esgoto e o uso do solo da região importam para muito mais gente do que os moradores do bairro.
Um dos quatro mananciais da cidade
Segundo a Prefeitura e o Saae, o sistema de abastecimento de Sorocaba tem quatro etapas: captação, adução, tratamento e distribuição. A captação é feita em quatro mananciais:
| Manancial | Observação |
|---|---|
| Represa de Itupararanga (Clemente) | Principal manancial, com dados oficiais divulgados pela CBA |
| Represa do Ipaneminha | Na Zona Oeste, perto do Ipanema das Pedras |
| Ferraz/Castelinho | Nível acompanhado pelo Saae |
| Rio Sorocaba | Captação no rio |
Da captação, a água segue por adutoras até as estações de tratamento. Em 2022, a Prefeitura listou três ETAs em operação: a Dr. Armando Pannunzio (ETA Cerrado), com capacidade de 1.800 litros por segundo; a Eng. Celso Eufrásio Monteiro (ETA Éden), com 300 litros por segundo; e a ETA Vitória Régia, com 750 litros por segundo.
Nível da represa
O Saae divulga periodicamente a situação dos reservatórios próprios. Em dezembro de 2022, a autarquia informou que o Ipaneminha operava com 90% da capacidade. Em comunicados de agosto de 2025 e de fevereiro de 2026 sobre consumo consciente, o Saae repetiu que o Ipaneminha se mantinha com 90% e o sistema Ferraz/Castelinho com 85%, resultado, segundo a autarquia, de investimentos feitos ao longo dos anos. Mesmo assim, o Saae orienta economia de água, sobretudo nos períodos de estiagem.
A sub-bacia do rio Ipanema
A represa fica na sub-bacia do rio Ipanema, que se estende pelos municípios de Sorocaba, Araçoiaba da Serra, Salto de Pirapora e Votorantim. A descrição é de um estudo de pesquisadores que avaliou a concentração de sedimentos na represa em novembro de 2019, no período seco, e em março de 2020, no chuvoso.
O trabalho concluiu que, na seca, a concentração de sedimentos é maior, e que o acúmulo desse material pode comprometer a qualidade da água e reduzir o volume útil do reservatório. Por isso, os autores destacaram a importância do monitoramento.
Por que o bairro importa para a represa
O Ipanema das Pedras tem perfil rural, com chácaras, condomínios e ruas de terra. Esse tipo de ocupação, perto de um manancial, exige cuidado com três pontos:
- Erosão: terra exposta de ruas e terrenos é levada pela chuva para os córregos. Nas chuvas de janeiro de 2024, os taludes de um córrego na Rua Laura Maiello Kook, perto da represa, desbarrancaram, e o Saae precisou construir um muro de arrimo de 60 metros.
- Esgoto: esgoto lançado sem tratamento em córregos que correm para a represa piora a qualidade da água bruta e encarece o tratamento. Onde não há rede, fossas mal conservadas são um risco.
- Lixo e entulho: resíduos jogados em áreas verdes acabam nos cursos d’água.
Esgoto tratado na região
Além da captação, o nome Ipaneminha aparece no tratamento de esgoto. Segundo o Saae, em 2024 Sorocaba tinha oito estações de tratamento de esgoto em operação, e uma delas era a ETE Ipaneminha. As outras são Pitico, S-1, S-2, Itanguá, Aparecidinha, Carandá e Quintais do Imperador.
O que o morador pode fazer
Ligar o imóvel à rede de esgoto quando ela estiver disponível, manter fossas em ordem onde não houver rede, não jogar entulho nas margens de córregos e denunciar descarte irregular são as medidas mais diretas. Dúvidas e pedidos sobre água e esgoto vão para o Saae, pelo 0800 770 1195, ligação gratuita.
Para entender as obras feitas no bairro depois das chuvas, leia a matéria sobre as obras no Ipanema das Pedras. O perfil da região está no guia do Ipanema das Pedras.
Fontes: Saae/Sorocaba; Agência de Notícias da Prefeitura de Sorocaba; Duarte, Coelho, Castro e Guandique, “Avaliação da concentração de sólidos em uma represa utilizada para abastecimento em Sorocaba-SP” (anais de simpósio de recursos hídricos publicados pela Unir).
