Gastronomia

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Receitas de família em Jumirim: a mesa dos imigrantes italianos

A Prefeitura de Jumirim reuniu histórias e receitas de famílias de origem italiana que formaram a cidade. Veja os pratos que atravessaram gerações e o que eles contam sobre a vida no campo.

O retrato mais completo da cozinha de Jumirim está num lugar inesperado: um acervo de receitas de família, publicado pela Prefeitura na seção “Gastronomia” do portal oficial. Cada receita vem com a história da família que a guardou. Juntas, mostram como os imigrantes, a maioria italianos, comiam, plantavam e se reuniam na cidade que cresceu em volta da estação da Sorocabana.

De onde vieram as famílias

Os relatos citam imigrantes vindos sobretudo do norte da Itália, a partir das últimas décadas do século XIX. Alguns exemplos registrados pela Prefeitura:

FamíliaOrigem e chegada, segundo o relatoPrato lembrado
ZanettiAntoní Zanetti, de Treviso, chegou por volta de 1870Crostoli com café
RovarottoGiordano Rovarotto, de Veneza, chegou a Tatuí em 1870 e depois se mudou para JumirimBraço cigano e bolachinha de nata
SchiaviAngelo Felice Schiavi e Stella Pasotto, casados na Itália em 1887, chegaram em 1888Bolinho de feijão
SilvestrinLuigi Silvestrin, de Saccolongo (Pádua), veio para Jumirim em 1890Polenta na tábua
ZulattoLourenço e Clara Zulatto, vindos da ItáliaCrostoli e pão doce de caçarola
TiveronMaria Cavasin Tiveron chegou viúva, com cinco filhosSugali de laranja, pé de moleque, paçoquinha
ThoméO sobrenome chegou ao Brasil por volta de 1850Tortei doce

O acervo inclui ainda as famílias Prior, Bazzo, Bertola, Giovaveneti, Goldoni, Lucchesi, Nicoletti e Pazotto, entre outras.

A vida no sítio

As histórias se parecem. As famílias compravam um sítio, em bairros rurais como Entre Rios e Roseiras, e viviam da lavoura. Plantavam café, milho, arroz, feijão, algodão e cana. No começo, a terra era trabalhada com enxada e enxadão. Só depois vieram as juntas de bois e burros para arar.

Quase tudo vinha de casa: fubá, queijo, linguiça, doces e vinho. O café era levado para a máquina de beneficiamento na cidade, no prédio onde hoje funciona a Prefeitura, segundo o relato da família Thomé. O que faltava era comprado nos armazéns da vila. A ferrovia e essa imigração são o centro da História de Jumirim.

Os pratos que atravessaram gerações

  • Crostoli: massa frita de ovos, açúcar e farinha, aberta com rolo e cortada em tiras. É o doce mais citado no acervo. Algumas famílias o serviam com café, outras com vinho, costume trazido da Itália.
  • Tortei doce: também chamado de crostoli doce, é um pastel frito recheado com feijão cozido e adoçado.
  • Bolinho de feijão: massa frita que estufa e forma bolhas, recheada com feijão refogado com alho e cebola.
  • Polenta: aparece em várias versões. A família Tiveron fazia muita polenta à tarde para comê-la “brustulada”, grelhada, na manhã seguinte, com leite ou linguiça. Os Silvestrin reuniam a família aos domingos para comer polenta na tábua, com molho e queijo.
  • Sugali de laranja: doce feito com caldo de laranja azeda, fubá, açúcar e água, comparado a uma polenta doce. Não tinha medida exata.
  • Doces de melado: com o melado do pequeno engenho do sítio, os Tiveron faziam pipoca doce, pé de moleque e doce de mandioca.
  • Pão doce italiano: massa de pão com uvas-passas, frutas cristalizadas e erva-doce, assada em forma.

Há também receitas mais recentes, como cocada de cenoura, bolacha de nata recheada com goiabada, bauru de forno e pavê de banana.

Mesa farta e festa do Divino

Os relatos descrevem almoços de domingo com a família toda: arroz, macarrão, sopa, polenta, pato assado, carne e salada, tudo posto na ponta da mesa. A família Zanetti conta que, todos os anos, fazia uma festa ao Divino, com pouso, jantar e café da manhã para muita gente. O costume lembra os pousos e almoços que preparam a Festa do Divino na vizinha Tietê, descrita em Festas e eventos tradicionais de Tietê.

Onde consultar

As receitas completas, com ingredientes e modo de preparo, estão na página “Gastronomia” do portal jumirim.sp.gov.br, no menu “Cidade”. Na cidade, a Feira Livre Noturna promovida pela Prefeitura reúne barracas de produtos e de comida. As datas estão em Festas e eventos de Jumirim.

Fontes: Prefeitura de Jumirim (página Gastronomia, com histórias e receitas de famílias do município; História do município).

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