Andar pelo Jardim Santa Cruz é passar por alguns dos sobrenomes mais antigos de Boituva. As placas do bairro levam nomes como Holtz, Primo, Thame, Bertoldi e Vercellino, famílias que o histórico oficial da Prefeitura associa à formação da cidade. Esta reportagem reúne o que os documentos públicos dizem sobre essas homenagens, sem preencher lacunas com suposições.
A lei de 2002
As ruas do loteamento foram nomeadas pela Lei Municipal nº 1.476, de 10 de dezembro de 2002, classificada na base de legislação do município como lei de “denominação de próprios e logradouros públicos”. A ementa lista, entre outras, as ruas Rodrigo Holtz, Humberto Primo, Abrahão Thame, José Thame, Professora Maria da Glória Leonardo de Paula, Francisco Alves Natel e Professor Vicente Maiera. Não consta revogação expressa.
Nos Correios, o Jardim Santa Cruz tem 11 logradouros, com CEPs de 18557-020 a 18557-040:
| Via | CEP |
|---|---|
| Avenida Professora Célia Lourdes Vercellino (nºs 770 a 1999) | 18557-020 |
| Rua Rodrigo Holtz | 18557-022 |
| Rua Humberto Primo | 18557-024 |
| Rua Abrahão Thame | 18557-026 |
| Rua José Thame | 18557-028 |
| Rua Professora Maria da Glória Leonardo de Paula | 18557-030 |
| Rua João Rafael Bertoldi | 18557-032 |
| Rua Francisco Alves Natel | 18557-034 |
| Rua Professor Vicente Maiera | 18557-036 |
| Rua Henrique Bertoldi | 18557-038 |
| Rua Joviano Paes de Camargo | 18557-040 |
Rodrigo Holtz e Humberto Primo: testemunhas do primeiro pouso
Dois nomes têm lugar documentado na história de Boituva. Segundo a Prefeitura, quando o comandante Hammer fez um pouso de emergência na região, em 1930, foi recebido por moradores “que hoje são homenageados em ruas, escolas e memórias da cidade”. Entre eles estavam Rodrigo Holtz e Humberto Primo. O episódio é considerado o começo da relação da cidade com a aviação, que décadas depois levaria ao Centro Nacional de Paraquedismo, a pouco mais de 1 km do bairro.
As famílias no histórico oficial
Para os demais nomes, o histórico publicado pela Prefeitura não traz biografias individuais. Mas cita as famílias, e vários sobrenomes do bairro aparecem lá:
- Holtz: listada entre as famílias de descendência austríaca e alemã que, com o fechamento de Ipanema, compraram terras principalmente no Pinhal e no Sítio Grande.
- Primo: o texto menciona Cezidio Primo, que deixou Vitorito, na Itália, para morar em Boituva.
- Vercellino e Bertoldi: chegaram ainda no século XIX, vindas da Itália e da Áustria, depois de passagem pelo Rio de Janeiro. A Wikipédia cita Nicolau Vercelino entre os fazendeiros de destaque do período da ferrovia.
- Thame: aparece entre as famílias sírio-libanesas, ao lado de Issa, Abussanra, Assad, Eid, Macruz e outras.
- Ferriello: chegou no início do século XX. É o sobrenome de Ida Scott Ferriello, que dá nome à creche municipal do bairro.
Coincidência de sobrenome não prova parentesco. A lista mostra que as homenagens do bairro seguem o padrão de Boituva de nomear ruas com nomes de famílias ligadas à história local.
Professoras e professores nas placas
Três vias homenageiam educadores, identificados pelo título no próprio nome: a Avenida Professora Célia Lourdes Vercellino, a Rua Professora Maria da Glória Leonardo de Paula e a Rua Professor Vicente Maiera. Célia Lourdes Vercellino também dá nome a uma escola municipal do Centro, na Travessa Treze de Maio, segundo o Censo Escolar. Na mesma avenida, a escola municipal leva o nome de outro educador, o professor João Pastre.
Como pesquisar a história de uma rua
Quem quiser saber mais sobre um homenageado pode seguir este caminho:
- Lei de denominação: a base de legislação de Boituva permite consultar a Lei nº 1.476/2002 e outras leis de nomes de ruas. Projetos mais recentes costumam vir com justificativa e biografia.
- Câmara Municipal: o arquivo legislativo guarda os projetos que deram origem às leis.
- Secretaria de Cultura: funciona na antiga Estação Ferroviária, na Avenida Tancredo Neves, e pode orientar pesquisas sobre a história local.
- Livros locais: o histórico oficial cita Boituva de Ontem, de Francisco de Oliveira Filho, como referência sobre os primeiros tempos da cidade.
Fontes: Legislação municipal de Boituva (Lei nº 1.476/2002 e lei de denominação da creche Ida Scott Ferriello); Correios (consulta de CEP); Prefeitura de Boituva (páginas “Nossa História”, “Centro Nacional de Paraquedismo” e da Secretaria de Cultura e Economia Criativa); Wikipédia (verbete Boituva); Censo Escolar/INEP (via Escol.as).
