Quando foi inaugurado, em 15 de março de 2014, o Jardim Botânico de Sorocaba recebeu o nome de “Irmãos Villas-Bôas”. A homenagem, segundo a Prefeitura, é aos irmãos Orlando, Cláudio e Leonardo Villas-Bôas, indigenistas e fundadores do Parque Indígena do Xingu. A escolha liga um espaço dedicado à conservação da flora a uma das trajetórias mais conhecidas da defesa dos povos indígenas no Brasil. Veja quem foram os homenageados e como essa história aparece na programação do Botânico.
Quem foram os irmãos Villas-Bôas
Os três irmãos eram paulistas do interior e ficaram conhecidos como sertanistas, nome dado a quem explorava o interior do país e mantinha contato com povos indígenas. De acordo com a enciclopédia Wikipédia, as datas são estas:
| Irmão | Nascimento | Morte |
|---|---|---|
| Orlando Villas-Bôas | 1914 | 2002 |
| Cláudio Villas-Bôas | 1916 | 1998 |
| Leonardo Villas-Bôas | 1918 | 1961 |
Os irmãos participaram da Expedição Roncador-Xingu, criada pelo governo federal em 1943 e ligada à Fundação Brasil Central, que avançou sobre o Brasil Central. Foi nesse trabalho que estabeleceram contato com povos da região do Xingu, em Mato Grosso.
O Parque Indígena do Xingu
O resultado mais lembrado dessa trajetória é o Parque Indígena do Xingu, criado em 1961, inicialmente com o nome de Parque Nacional do Xingu. A criação teve o apoio dos irmãos e de nomes como o Marechal Rondon e o antropólogo Darcy Ribeiro. A Prefeitura de Sorocaba, em material de educação ambiental, descreve o Xingu como a primeira reserva indígena demarcada do país, área onde vivem 16 povos indígenas, entre eles os Kuikuro, o povo mais numeroso do Alto Xingu.
O trabalho dos irmãos teve reconhecimento internacional: segundo a mesma enciclopédia, Orlando e Cláudio chegaram a ser indicados ao Prêmio Nobel da Paz.
A história contada no Botânico
O nome não ficou só na placa. A equipe de educação ambiental da Secretaria do Meio Ambiente, Proteção e Bem-Estar Animal (Sema) usa a trajetória dos irmãos como tema de atividades para escolas e famílias:
- Visita monitorada temática. O roteiro “Conhecendo os Irmãos Villas-Bôas e os povos indígenas, os guardiões da natureza” apresenta aos alunos a história dos sertanistas e uma exposição de artesanato e utensílios do povo Kuikuro. A visita inclui trilha em um trecho de mata ciliar dentro do Botânico. Escolas de Sorocaba e de cidades vizinhas, como Votorantim, já participaram.
- Programação de férias. Em fevereiro de 2025, crianças aprenderam sobre os irmãos e os povos indígenas na programação de férias do espaço.
- Dia dos Povos Indígenas. Em abril, o Clube de Jardinagem e o grupo infantil de observação de aves Coaves Kids já fizeram encontros especiais sobre o tema no Botânico.
Os 10 anos e a visita de Marina Villas-Bôas
O momento mais simbólico dessa ligação foi o aniversário de 10 anos do Jardim Botânico, em março de 2024. A programação incluiu o bate-papo “Os Irmãos Villas-Bôas e seu Legado”, com a participação de Marina Lopes de Lima Villas-Bôas, viúva de Orlando. Enfermeira aposentada, ela foi, segundo a Prefeitura, a primeira mulher a morar e trabalhar no Parque Indígena do Xingu, para onde foi em 1963 para ajudar no combate a epidemias e onde permaneceu por 15 anos.
O encontro foi realizado com a educadora Regina Fonseca, idealizadora do Espaço Toca da Raposa, que trabalha com a difusão da cultura Kuikuro.
Como conhecer
As visitas monitoradas para grupos acontecem às quintas-feiras, das 9h às 11h, com agendamento pelo e-mail [email protected]. O roteiro sobre os irmãos Villas-Bôas já foi oferecido em diferentes épocas do ano; ao agendar, pergunte quais roteiros estão disponíveis. Para visitas livres, o espaço abre de terça a domingo, das 9h às 17h, na Rua Miguel Montoro Lozano, 340, no Jardim Dois Corações.
Mais informações para a visita estão no nosso guia de como visitar o Jardim Botânico de Sorocaba.
Fontes: Agência de Notícias da Prefeitura de Sorocaba (noticias.sorocaba.sp.gov.br); Secretaria do Meio Ambiente, Proteção e Bem-Estar Animal (Sema); Wikipédia (verbete “Irmãos Villas-Bôas”).
