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Cultura Jardim Zulmira

Jardim Zulmira: a planta de 1952 que desenhou o bairro entre a ferrovia e a Vila Barão

O que a planta do loteamento arquivada pela Prefeitura de Sorocaba revela sobre a origem do Jardim Zulmira: data, traçado, vizinhos e áreas verdes previstas.

Há poucos registros publicados sobre a origem do Jardim Zulmira, bairro da zona oeste de Sorocaba. Um dos documentos mais reveladores está no acervo público da Prefeitura: a planta do loteamento, digitalizada pela Secretaria de Planejamento e Desenvolvimento Urbano. Ela mostra quando o projeto passou pelo poder público, como as ruas foram desenhadas e quais eram os vizinhos do bairro na época.

O que diz o carimbo

A planta disponível é uma cópia feita pelos Serviços de Cadastro e Topografia da Prefeitura Municipal de Sorocaba, com data de 26 de setembro de 1968 e escala 1:1.000. No campo de observações, ela reproduz duas informações do original:

  • o nome Wilfrido Vieira Barbosa, precedido da abreviação “Prop.”, indicando o proprietário da área;
  • o “Visto do Diretor de Obras” em 20 de novembro de 1952.

Ou seja: o desenho do Jardim Zulmira já tinha passado pela Diretoria de Obras municipal no início dos anos 1950. A planta não explica a origem do nome “Zulmira”, e não encontramos fonte confiável que o faça. Se você tem documentos de família ou registros sobre isso, a Secretaria de Planejamento e o arquivo histórico municipal são os lugares indicados para checar.

Os limites do loteamento

O desenho mostra o bairro como uma espécie de triângulo alongado. Os limites e referências anotados na planta são:

  • ao sul, a Estrada de Ferro Sorocabana, desenhada com o traço característico da linha férrea;
  • a oeste, a Rua Humberto de Campos;
  • ao norte, quadras identificadas como da Vila Barão e um valo;
  • a leste e ao sul, as indicações Vila São João e Vila Lucy.

A presença da ferrovia ajuda a entender o traçado: várias ruas correm em diagonal, acompanhando a linha, e o bairro se fecha em ponta no encontro com ela.

Ruas que já estavam no papel

Muitos nomes que o morador conhece hoje aparecem na planta, organizados em 27 quadras numeradas:

  • Rua Domingos Teruz;
  • Rua Salvador Stefanelli;
  • Rua Humberto de Campos;
  • Rua Walter Caldini;
  • Rua Rosa Maria de Oliveira, cujo nome aparece anotado à mão sobre a antiga “Rua nº 15”.

Várias vias trazem, ao lado do nome, o número usado no projeto, como o “nº 11” anotado na Salvador Stefanelli.

A Rua Salvador Stefanelli, que corta o miolo do loteamento, é hoje endereço de escolas do bairro, como o CEI 21 “Aureliano Rodrigues” e a escola estadual Humberto de Campos. A Rua Rosa Maria de Oliveira abriga o Canil Municipal de Sorocaba.

Um bosque no desenho original

Um detalhe chama atenção: entre as quadras 4, 5 e 13, a planta reserva uma grande área arborizada identificada como “Bosque Duque de Caxias”, atravessada por um curso d’água que segue em direção à ferrovia. Também aparece uma “Praça nº 2” na altura da Rua Salvador Stefanelli e pequenos largos triangulares nas pontas das quadras.

Essas áreas eram as reservas verdes e de lazer do projeto. Como muitos loteamentos da época, o uso efetivo desses espaços mudou ao longo das décadas, e a planta não informa o que foi implantado depois.

Como consultar a planta

  1. Acesse planejamento.sorocaba.sp.gov.br.
  2. Entre em “Loteamentos e Áreas Públicas”.
  3. Procure a letra Z e o arquivo “Zulmira, Jardim”.

O arquivo é uma imagem de alta resolução. Para questões jurídicas de lotes, a referência continua sendo o cartório de registro de imóveis.

Para um panorama atual, leia o guia do Jardim Zulmira.

Fontes: Secretaria de Planejamento e Desenvolvimento Urbano de Sorocaba (planta do loteamento Jardim Zulmira); Censo Escolar/INEP; Prefeitura de Sorocaba.

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