Millennials são voltados para a família e, pasmem, 58% ainda vivem com a mamãe

POR FERNANDO BARROS

 

Foi assim com os baby boomers (nascidos entre 1946 e 1964), com seus ideais de contracultura, sexo livre, paz e amor. Ruidosos roqueiros, pintados com a lama de Woodstock, exibem seu jeito transgressor até hoje. Já a geração seguinte, a X (nascida entre 1965 e 1979), compôs uma juventude marcada por ceticismo, hedonismo e competição. Há ainda a geração Z, os novos babies (nascidos a partir de 1995), que não acertaram ainda seu jogo, mas, tudo indica, não estão muito a fim de chutar baldes.

Volto para os millennials, idolatrados pela indústria do marketing, partidos e candidatos. Todos buscando aproximação e diálogo com esse segmento. Trata-se da primeira geração global e multiconectada. São desbravadores e humilham quem os desafia com a incrível rapidez de seus dedos teclando e clicando febrilmente os smartphones.

Persegui os millennials durante os dois últimos anos. Cada vez que fazia grupos de discussão os incluía, e ficava intrigado com a placidez desses meninos.

Um país tão plural como o nosso não tem segmentos tão homogêneos. Mais recentemente, a Rede Globo fez um estudo pesquisando o que pensam e como agem cinco mil jovens, em diversos quadrantes do Brasil. Um trabalho de grande profundidade que misturou várias técnicas de pesquisas. E, afinal, revelou: os millennials são mudancistas, pero no mucho. São extremamente voltados para a família e, pasmem, 58% ainda vivem com a mamãe. Aliás, seus ídolos passam em primeira e segunda instância pelo pai e pela mãe. São meninos de fé: a religião é indispensável para suas vidas.

Pode ser que não sejam tão ambiciosos materialmente. Mas querem avançar: 70% buscam o sucesso nas suas carreiras. Desejam comprar suas casas e seus carros. Gostam de trabalhar e, além dos cliques, assistem à TV aberta. Se informam por ali. De cada dez palavras, metade é a exclamação “fake”. Vacinam-se contra os boatos espalhados pela rede.

Não vejo indícios de transgressão como regra. A torrente de fotos cotidianas que jorra pelas plataformas digitais é um indicio de que a turma quer se ver, se aproximar. Quem sabe, o caminho de mudança deles seja esse: serem mais gente, menos cyber. Uma volta aos velhos tempos, surpreendente, com mais abraços, mais emoção. Os jovens brasileiros, todos, têm sua agenda. Sem chutar o balde ou chegar perto de abismos. Ao final e ao cabo, continuam os mesmos. Como nossos pais.

Fernando Barros é publicitário

 

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